Puros & Vinhos

quinta-feira, outubro 23, 2008

VINHOS PARA O JANTAR DO QUINTO ANIVERSÁRIO

Visto estarmos muito em cima do evento. Este foi um bom lote de vinhos que encontrei num unico lugar e fácil de adquirir.Se não concordarem, deixem aqui outras sugestões, para que possamos apreciar em conjunto.

Nossa 2007 - É a estreia, a grande antestreia nacional do Nossa, um branco novato de um igualmente novo produtor. Directamente das Beiras, do centro de Portugal, este é o primeiríssimo vinho do produtor "Vinhos Doidos", a nova coqueluche da região centro, o primeiro vinho a desembarcar no mercado nacional. Sim, sim, é verdade, o nome é algo excêntrico e raro, mas eloquente e expressivo no estilo que os autores imprimem aos vinhos. Na verdade, o nome retrata, de forma fiel, a forma como os dois autores entendem o vinho, a saudável loucura e a paixão com que vivem o vinho.

Mas afinal, quem são estes dois autores tão misteriosos? Nada mais, nada menos, que Filipa Pato e o seu marido, William Wouters. Filipa Pato, claro, desobriga a qualquer apresentação alongada, e o seu percurso de excelência é por demais conhecido e reconhecido. William Wouters, belga de nascimento, amante do vinho, antigo escanção campeão da Bélgica, faz parte da quinta geração de uma família com longa tradição na restauração de Antuérpia. William Wouters respira e transpira vinho por todos os poros. Juntos formaram a empresa "Vinhos Doidos", forma feliz de enunciarem os vinhos que mais os transcendem.

Por ora existem dois vinhos, o Bossa e o Nossa, numa homenagem directa à Bossa-nova, ao Brasil, país onde se conheceram. O Bossa é um vinho simples e directo, sem pretensões de maior, mas este Nossa, aqui em primeira edição, é um vinho ambicioso, um branco extraordinário que irá fazer levantar muitos sobrolhos. Nasce das duas castas que mais apreciam, Encruzado e Bical, das duas regiões que mais admiram, Dão e Bairrada. É um verdadeiro vinho das Beiras, num lote clássico que junta o corpo e volume do Encruzado, com a frescura, mineralidade e dinamismo da Bical. Resultou um vinho excitante e cristalino, enorme no comprimento final, mineral como poucos, num estilo que o avizinha de vinhos de carácter mais próximos da Europa central. Muito mais que um vinho para provar, é um vinho que dá prazer beber!
Características: Região: Beiras; Teor alcoólico:13º, castas: Encruzado e Bical; Enólogo: Filipa Pato

Doda 2005 - Começou por ser Dado e agora é Doda, não por capricho ou extravagância dos progenitores, apesar da singularidade assumida pelos dois, mas por inevitabilidade, por necessidade legal. Já lá vamos! Comecemos pelo apelido de berço, pelo título académico original que resulta da contracção dos nomes Dão e Douro, as duas regiões que emprestam uvas para este vinho de mesa. Vinho de mesa sim, porque, de acordo com a legislação comunitária, a mescla de uvas de duas denominações de origem implica uma despromoção automática para a classe mais comezinha possível, o vinho de mesa. Classificação que impede a indicação de informações tão elementares e essenciais como o nome das castas ou, ainda pior, da data de colheita. Por isso, numa tentativa expedita de contornar as regras burocráticas, convencionou-se chamar à primeira edição do Dado o primeiro Dado, à segunda edição segundo Dado, sabendo que o primeiro a tomar vida foi o Dado de 2000. Só que, e é aqui que entra a mudança de nome, aparentemente o título Dado já tinha registo anterior, registo que foi agora reclamado por quem de direito. Face à necessidade da metamorfose, alterou-se o género, passando de Dado a Doda, nome que, de novo, resulta da contracção dos nomes Douro e Dão. O vinho que propomos é o quinto da série a ser publicado, deduzindo-se pois que será o Doda de 2005.

Douro e Dão porque os seus autores, Dirk Niepoort e Álvaro Castro, os dois "enfant terrible" de Portugal, sempre acreditaram na complementaridade da relação. Sempre confiaram que a comunhão entre a generosidade, a fruta e o corpo do Douro poderiam ser bem temperados pela sobriedade, acidez e frescura do Dão. Que o vigor do Douro poderia ser bem condimentado e revigorado pela delicadeza do Dão. E é precisamente isso que este Doda nos oferece, um vinho poderoso mas contido, musculado mas delicado. Um Doda que começa avassalador na potência e termina macio e aveludado, sedutor e melodioso. E para mais, é um vinho de mesa que sabe envelhecer...
Características: Região: Douro e Dão; Teor Alcoólico:14º; Enólogo: Dirk Niepoort e Álvaro castro

Cantina del Notaio La Firma 2005- Tal como todos os outros rótulos da Cantina del Notaio (Adega do Notário) também este "La Firma" simboliza um acto notarial, neste caso "A Assinatura". Tudo porque Gerardo Giuratrabocchetti, o efusivo e apaixonado dono, de nome impronunciável, decidiu abandonar a profissão de notário para se dedicar a tempo inteiro à terra herdada do pai. Para se dedicar à casta Aglianico del Vulture, a única casta tinta com que trabalha, a única em que acredita, a sua paixão. Uma casta de origem grega, de pequeníssimos bagos e produções quase ridículas, a estrela de Basilicata, bem lá no sul de Itália. Vinhas velhas plantadas nos solos ácidos das encostas escarpadas do antigo vulcão Vulture, a uma altitude média de 600 metros. Vinhas vindimadas em meados de Novembro, com períodos de maturação muito alargados, vinhas em certificação biodinâmica. Vinhos fermentados e estagiados em grutas naturais profundas e frescas. Duro, concentrado, denso, opaco, terroso, este La Firma 2005 é um vinho capaz de despertar paixões e tormentas. Um vinho com um equilíbrio estrondoso entre a potência e a contenção. Um vinho de paixões e dramas, um vinho verdadeiramente italiano na alma. Um vinho carregado de carácter!
Características: Região:Basilicata; castas:Aglianico del Vulture;Teor Alcoólico:14,5º; Enologo: Luigi Moio

Neo 2005 -Este Neo faz parte da última fornada de vinhos a surgir em Ribera del Duero, a terceira vaga de uma das regiões mais dinâmicas e estimulantes de Espanha. A primeira oportunidade nasceu pela mão dos pioneiros, dos criadores da denominação de origem, que criaram tintos sólidos, poderosos e gulosos, dando o empurrão para a criação e destaque da denominação. A segunda vaga favoreceu os grandes projectos, as grandes ambições, os desvarios, os investimentos imensos, nem sempre de capital ligado ao vinho. Nasceram as adegas modelares, a arquitectura deslumbrante e monumental, os grandes investidores, a mediatização. E agora, agora assistimos a um retorno ás origens, ao lema "small is beautiful", ao despontar de uma nova mão-cheia de produtores, pequenos produtores que apostam de forma decidida na excelência, nas pequenas produções cuidadas. Produtores artesanais, produtores de garagem, produtores que sempre venderam uvas a terceiros, e que agora, num movimento quase imparável, decidiram dar o grande passo.

É uma Ribera del Duero para conhecedores, para iniciados, o despontar de uma nova era. A proposta vai para um dos novos ícones desta terceira vaga, o novo sangue da região, o Neo 2005. Como fazer um grande vinho em Ribera del Duero? Bom, começamos por reunir um trio de apaixonados pelo vinho, um trio de jovens emocionados e encantados com o seu trabalho... e deixamo-los sonhar. Depois é só por mãos à obra, seleccionar a melhor fruta e deixar a natureza expressar a sua vontade sem grandes interferências. Parece simples, mas por trás deste vinho há muito suor, muito trabalho e muita alma. Neste momento ainda necessita de um pouco mais de tempo em garrafa para suavizar algumas arestas, para domar a juventude, para ganhar simetria, mas as indicações são seguras. É um vinho faustoso nas matizes frutadas, no exotismo das especiarias, na frescura do final de boca, e, acima de tudo, um vinho com um temperamento plenamente assimilado com a Ribera del Duero.
Caracteristicas: Região: Ribera del Duero; Castas: Tempranillo; Teor Alcoólico: 14º; Enologo: Javier Ajenjo, Julio Conde e Jose Luis Simon

L'Auntentica 2005 - Para a sobremesa a sugestão vai para este vinho sublime, surpreendente pelo exotismo e complexidade. Um vinho de cunho profundamente mediterrânico, doce e suave, um vinho de deleite, de puro prazer hedonista. É fácil acreditar que chegámos ao paraíso quando provamos o L'Autentica 2005. A doçura do mel, a beleza dos frutos secos, a frescura do limão, o tempero das ervas aromáticas, o embalo dos balsâmicos, surgem maravilhosamente temperadas pela acidez firme que o aviva, refresca e prolonga na boca. Uma sensação maravilhosa de deleite, de volúpia e prazer.

Mas acreditem, não é fácil conseguir edificar um vinho doce fresco e vibrante em Basilicata, no sul de Itália. Não fora a altitude elevada das vinhas, nas encostas do extinto vulcão de Vulture, não fora a elevada acidez dos solos vulcânicos (como na ilha da Madeira), e a magia não sobrevinha. Para o fascínio deste L'Autentica trabalham também as duas castas do lote, Moscatel de Vulture e Malvasia de Vulture, duas castas autóctones, variantes locais das duas castas mais emblemáticas do mediterrâneo. O último segredo assenta na longuíssima fermentação, mais de dois meses, seguida de um estágio de 14 meses em barricas novas de carvalho francês. Razões mais que suficientes para não perder um dos segredos mais bem guardados de Itália...
Caracteristicas: Região: Basilicata; Castas:70% Moscatel del Vulture e 30% Malvasia del Vulture; teor Alcoólico:14º; Enologo: Luigi Moio

purosevinhos@gmail.com

14 Comments:

Blogger Chalana said...

Será uma prova latina.....???

Vamos confiar no lote do presidente e relativamente ao repasto, já há alguma coisa??

Abraços

4:17 da tarde  
Blogger Chalana said...

Será uma prova latina.....???

Vamos confiar no lote do presidente e relativamente ao repasto, já há alguma coisa??

Abraços

4:17 da tarde  
Anonymous Antonio Amaro said...

Amigo Chalana
temos que confiar no Presidente, caso contrário, ele exerce os seus poderes de democrata musculado...
eu explico, nestes regimes democraticos o exercicio da votação é como o nome diz um mero exercício, pois quando se vota e se chega a uma lista de vinhaças por um musculado milagre, os vinhos que se vão beber no jantar, não são (é verdade às vezes lá aparece umzito) msiteriosamente nenhum dos votados.

4:29 da tarde  
Anonymous Antonio Amaro said...

Caro Presidente

este meu ultimo comentário foi como certamente percebeu, uma brincadeira.
Como diz um outro confrade e amigo, que Deus lhe dê muito vislumbre, discernimento e paciência para continuar a exercer a sua presidencia como até aqui e a dispor do seu tempo para nos dar as magnificas sugestões que até aqui temos tido.
Abraços confrades

4:33 da tarde  
Anonymous Antonio Amaro said...

Caro Presidente

este meu ultimo comentário foi como certamente percebeu, uma brincadeira.
Como diz um outro confrade e amigo, que Deus lhe dê muito vislumbre, discernimento e paciência para continuar a exercer a sua presidencia como até aqui e a dispor do seu tempo para nos dar as magnificas sugestões que até aqui temos tido.
Abraços confrades

4:33 da tarde  
Blogger Chalana said...

Principalmente "Paciência".... e olha q, como tu sabes e bem é preciso muita....

Como alguém diz...

Se não queres ser criticado, eis a solução: não faças nada, não fales nada, não sejas nada.

4:44 da tarde  
Blogger Mario Joao said...

Que seja uma prova latina! porque as latinas são do melhor.....
Viva, pois, o nosso Presidente e que Deus e os bons resultados do Benfica lhe conservem a alegria e o discernimento que coloca nestas coisas !!! E já agora uma pergunta pertinente : No Club pode-se degustar um puro ou temos que levar cobertor para vir fumar para a Rua ???? Abraço a todos os puristas e amigos do PUROS & VINHOS !

11:30 da tarde  
Blogger PAULO SOUSA said...

A este ultimo post do Mário só falta a musica que colocavam antes dos penaltys, contra o Penafiel.Já agora isto já não é um blog de vinhos e charutos?

11:38 da manhã  
Blogger Chalana said...

Musica...Penaltys isto faz-me lembrar...historias de Fruta...lá está, estamos a falar de vinho!!!

Segundo se consta era fruta madura....mas acho q foi arquivado por falta de aromas.

Abraço a todos e bom fds

12:31 da tarde  
Blogger Presidente said...

ponto de situação do jantar do dia 1/11:
Estes vinhos podem ter alteração até ao dia do jantar devido á logística.
Mas aqueles que os substituírem serão de igual qualidade.

se quiserem substituir o vinho de sobremesa por outro tinto, branco ou Porto podem dizer alguma coisa.

O Club tem uma varanda espectacular para se fumar o Puro.

Confirmações: Luis,Chalana,chaparro,serra,mario joão,malé,mane,mezaros,psi,pita,
barata,nuno,velho,rogério,bernardo.

Um abraço

1:37 da tarde  
Blogger PAULO SOUSA said...

Não tem é cobertores,mas varanda tem...

3:00 da tarde  
Blogger Presidente said...

Até parece que vivemos na Noruega ou no Canadá. O Puro sabe melhor quando se está em boa companhia com uma boa conversa e um bocado de frio para aquecer.

Chamam frio a 15º!!!
Tudo meninos de apartamento

3:30 da tarde  
Blogger Mario Joao said...

Sr. Sousa, eu só trouxe o Benfica à baila como mero exemplo daquilo que pode deixar o nosso Presidente feliz e com força de vontade para continuar a fazer o bom trabalho! Claro que este é um blog de puros & vinhos e assim continuará a ser.
Quanto aos puros e havendo uma varanda, e desde que nos deixem trazer um copo com L'Autentica para acompanhar, vamos nessa! Ou então um bom LBV que acompanha muito bem um bom puro ! Da ultima vez que experimentei foi quase mais de meia garrafa. :-)
Quantos aos outros não sei Sr. Sousa mas eu vou sentir a sua falta no jantar e dos seus comentários tão doutos....

10:50 da tarde  
Blogger PAULO SOUSA said...

Posso sempre de qualquer forma emprestar a minha aparelhagem,para quando algum elemento dos Puros beber um copo de penalty,tocar a musica...

4:52 da tarde  

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