Puros & Vinhos

Sexta-feira, Novembro 20, 2009

O jantar de Natal dos Puros & Vinhos está a porta, e como sempre costuma ser o maior evento do ano.
Devido ao preenchimento da agenda de muitos confrades, este ano em vez de ser jantar pensou-se no almoço de Domingo dia 20 de dezembro. Todos de acordo?

Peguei nas sugestões do António Amaro, juntei algumas minhas e cheguei a este painel de vinhos:

Inicio: Murganheira Touriga Nacional

Brancos: Domaine Leflaive Borgogne Blanc 2006 (Chardonnay/França)

Giaconda Nantua Chardonnay 2006 (Chardonnay 97%+ 3% Roussane/Austrália)

Tintos: Amon-Ra By Ben Glaetzer 2008 (Old Shiraz/Barrosa valley Austrália)

Esporão 1º Prémio da Confraria dos enófilos 2007 (Syrah, T.Franca,T.Nacional e A.Bouschet/Alentejo)

Quinta do crasto Vinha da Ponte 2007 (castas tipicas do Douro/Douro)

Vintage: Quinta do Vesúvio Vintage 2007

Duvidas existentes:
Quinta do Crasto ainda não saiu para o mercado, se falhar qual será o substituto?
Compra-se 1 ou 2 garrafas de Vintage?
Querem incluir algum branco Português? Qual?


purosevinhos@gmail.com

Quarta-feira, Novembro 11, 2009

JANTAR Do 6º ANIVERSÁRIO DOS PUROS & VINHOS

se quiser ver a nossa ficha de prova com as médias da prova em formato normal clique na imagem

É com grande alegria que escrevo esta crónica sobre o jantar do 6º Aniversário dos Puros & Vinhos que decorreu no passado dia 6 de Novembro no Restaurante Clube em VFX. Estiveram presentes 17 confrades para celebrar este encontro.

Vamos ao que interessa, os vinhos. Começou-se com um champanhe Moutard Pére et Filles Cuve Prestige Rosé – Já falei sobre este vinho numa crónica de 15/09, em que disse e volto a dizer que gosto muito deste champanhe, e que na minha opinião não fica nada, mas nada a perder em relação ao Ruinart Blanc det Blanc, do qual eu sou fã o mas não fundamentalista. A nota de prova é a mesma, e deixo aqui escrita: Esboçando ligeiros tons acobreados e algum âmbar. Bolha fina e persistente. Aroma expressivo e exuberante, um vivaço. Numa primeira fase revela traços de bagas silvestres, com particular relevo para a groselha e framboesa, a que mais tarde se junta morangos. Numa fase mais avançada, surgem intrigantes sugestões de rebuçado
Mousse abundante, rico na boca, expressivo e falador. Acidez qb, solta sensações contraditórias, por vezes peculiares, sempre originais e pouco comuns. Recorda tomate pela acidez, romã pelo aroma, morango no fim de boca, e sobretudo, muito, muito dióspiro pela prova de boca. Nada de dióspiros madurões, mas sim o dióspiro ainda na fase inicial de maturação, na conversão de fruta verde para madura.

Preço: 31€ Média Final: 15,82

Com o primeiro prato que foi um panado de queijo da serra sobre tosta e molho de romã, provamos o Soalheiro Dócil 2008 (Vinhos Verdes) – Este vinho sem vindima tardia e sem botritys foi o ideal para acompanhar este prato, a seu equilíbrio de acidez e doçura acompanhou a consistência do prato. Gostei muito do vinho, sem ficar deslumbrado. Preço:10€ Média Final: 15,29

De seguida fizemos uma prova cega de brancos, o primeiro a entrar em cena foi o Quinta do Regueiro Grande escolha 2006 (Vinhos Verdes) – Já tinha tido oportunidade de provar este vinho noutras ocasiões, e não me desiludiu, em prova cega não se consegue vislumbrar que estamos perante um Alvarinho. Apresenta-se com uma cor cristalina. Nariz fresco, vegetal, com apontamentos que sugerem uma salada de fruta. Leve madeira confere-lhe estrutura. Na boca entra amplo e fresco, evoluindo de forma equilibrada e directa para um final moderado, de complexidade média e acidez vincada. Apesar de não existir muita profundidade de sabores, onde predomina o vegetal, o conjunto consegue rasgos de prazer e frescura.

Preço: 12Média Final: 15,21

O segundo vinho branco que surgiu na mesa foi o Blanc de Montsalvat 2007 (Priorato/Espanha)– para mim esta foi a surpresa, mas pela negativa. Basta vê-lo no copo, com a sua cor dourada muito velha, para se perceber que este branco é diferente. Este estilo de cor só costuma aparecer após anos, décadas de vida, sendo insólita num vinho ainda tão jovem. Mas se por acaso a cor lhe passar ao lado, o nariz encarrega-se imediatamente de o alertar para as particularidades deste branco original. Um aroma denso, pesado, quase decadente, de fruta cozida, pêra, marmelo em calda. Mas o que mais impressiona é a madeira, as frescas notas de menta e eucalipto, e mesmo uma ou outra indicação de avelãs. Gordo, volumoso, pesado, não lhe ficaria mal um agasalho de acidez que disfarçasse as pregas da gordura. E foi aqui que o vinho me desagradou, a sua gordura enjoou-me e fiquei sem vontade de o voltar a provar.

Preço: 18€ Média Final: 14,64

Começou a prova cega de Tintos, o primeiro a surgir na mesa foi o CV 2007 (Douro) – Um dos grandes vinhos para os dois guias já no mercado, o de João Paulo Martins e o do Rui Falcão. Apresentou-se um vinho cheio e escuro, um vinho que começa por nos dar uma estalada de chocolate que quase nos deixa "knock-out"! Depois vem a fruta, muita fruta madura e doce, cassis, ginga, cereja preta e ameixa, sempre escoltada por notas alicoradas. Tudo muito pecaminoso, pervertido, um vinho guloso mas ligeiramente nervoso na boca, talvez fruto da sua juventude. Existe muita fruta, tudo muito fácil e voluptuosa. Final longo.

Preço:45€ Média Final:17,54

O segubdo tinto a chegar á mesa foi o Brancaia Il Blu 2006 (Toscana/Itália) - Entra tímido nos aromas, recatado da clausura em garrafa. Cromaticamente é um caso de amor à primeira vista, um tom escuro como breu, com laivos violeta que conquista de imediato o olhar. É então que desponta a cereja, e um lado floral muito envolvente. Boca incisiva, muito objectiva, harmoniosa, impera o bom gosto e a sobriedade. Elegante, equilibrado e sereno, nada está desarrumado ou a mais neste vinho.

Preço:44€ Média Final:17,57

O último a chegar á mesa foi o espanhol Astrales Christina 2006 (Ribera del Duero/Espanha) – Apresentou-se com um forte nariz, denso, profundo, com fruta madura a lembrar compota de cereja e ginga, mas depois de volteado ele abre, surgindo a densidade do aroma a ameixa e flores, muitas flores em destaque. A madeira confere-lhe definição, através de sensações a noz moscada e a carvalho, de grande nível e complexidade.
Na boca, a estrutura usufrui da elegância de sabores e aromas a ameixa e ginja madura, casados com nuances vegetais, que lhe conferem delicadeza na envolvência ampla. Termina longo, enquadrado por uma acidez viva e alegre que enaltece uns taninos aristocráticos. Um vinho notável.

Preço:35€ Média Final:17,93

No fim da refeição, para acompanhar o Puro disponibilizado pelo Confrade David bebeu-se um Quinta de Roriz Vintage 2003 -É tudo preto, à excepção dos tons violáceos do bordo. A aproximação ao nariz é pautada por uma enorme doçura de fruto, nada enjoativa, em harmonia perfeita com um cunho vegetal muito vincado donde, esporadicamente, se liberta uma fragrância floral de extrema sensualidade. De tudo isto emerge um conjunto cheio de força e vigor, impressionante na frescura. Um vintage muito elegante e fresco.

Preço:50€ Média Final:17,29

E assim terminou mais um belo jantar dos Puros, e desejando que o próximo surja para breve..... o Natal está á porta.. Até já.

Terça-feira, Outubro 20, 2009

Maria 2006

Maria 2006 Alonso del Yerro (Ribera del Duero; 14,7º, 44€) - A cor deste tinto é no mínimo impressionante, absolutamente opaca, um granada tão cerrado que a luz nem consegue penetrar. Depois vem o aroma, um aroma denso, viscoso, profundo, enorme, cheio de chocolate, um colosso que intimida e quase atordoa. Potente, revela de imediato a fruta madura e generosa, as notas fumadas, tudo escuro e concentrado. Boca composta, acidez firme e assertiva, taninos duros, carácter mineral, estrutura mediana, não cai nos excessos de maturação. Tendo um final médio longo. Este é um vinho que não deixa ninguém indiferente. Nota:18

Quinta-feira, Outubro 08, 2009

COHIBA SIGLO VI GRAN RESERVA

  • É a primeira vez absoluta que a Habanos Gran Reserva elabora com as melhores folhas cubanas do tabaco de San Juan y Martínez e San Luis colhidos em 2003, e envelhecidos com cuidado por cinco anos antes de alcançar as mãos dos enroladores do charuto.
  • Eram ansiosamente esperados a chegada aos mercados mais selectos do mundo estes Cohiba Siglo VI Gran Reserva.
A Habanos s.a está satisfeita por apresentar o " Gran Reserva", lançado pela primeira vez na "Cohiba", o mais prestigioso do charuto no mundo.
Este lançamento absoluto Habanos Gran Reserva realça o carácter original de Habanos como um “Denominacion de Origen Protegida” (denominação de origem protegida).

O conceito de Gran Reserva significa o melhor do que Habanos faz. As melhores folhas cubanas do tabaco colhidas em 2003 foram seleccionadas, fermentadas e inspeccionadas durante um longo período de cinco anos. Todas as folhas usadas para compor um Habano - o envoltório, o enchimento e a pasta submeteram-se a este processo meticuloso de 5 anos. Aquelas folhas preciosas, após cinco anos de cuidado, são colocadas então nas mãos dos enroladores de charutos cubanos da fabrica da Cohiba no " EL Laguito" a fim de criar este Habano requintado para os fumadores mais distintos.

Além disso, a "emblemática vitola: Siglo VI" ( 52 x de 150mm) foi escolhido para a produção deste primeiro Habanos Gran Reserva. Cada parte do processo respeita os critérios que um grande conhecedor exigiria de um produto tão original. Do processo de fermentação cuidadoso usando o melhor tabaco de San Juan, de Martinez e de San Luis, ao processo da requintada selecção da mistura, supervisionado por 50 verificadores. Todos os elementos são verificados para combinar e respeitar o carácter original de um Cohiba.

Cohiba Gran Reserva é uma produção pequena, simplesmente 5.000 caixas numeradas que contêm 15 Siglo VI.
Nesta primeira fase o primeiro Gran Reserva de Habanos já é um sucesso, tomando em consideração as opiniões de fumadores, jornalistas, e de peritos que deram as avaliações máximas a este primeiro Habanos Gran Reserva, fazendo dele um artigo de colecção extremamente difícil encontrar.

Tamanho da fábrica: Cañonazo (52 x de 150mm)
Nome de Comercial: Cohiba SigloVI Gran Reserva 2003
Apresentação: 5.000 caixas numeradas com 15 unidades

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Terça-feira, Outubro 06, 2009

Prova de vinhos na Feira de Outubro 2009 Vila Franca de Xira



Começou a feira de Outubro 2009 em Vila Franca de Xira, e com ela aparecem as largadas de toiros. Motivo suficiente para fazer uma bela jantarada, regado com bons vinhos, enquanto observamos os belos e selvagens exemplares taurinos e o trabalho dos campinos na rua.

Nesta largada apresentaram-se 8 toiros: 4 com pelagem clara e 4 de pelagem escura. Fica aqui a apresentação de cada um deles:

Quinta Foz do Arouce 2008 Br ( Beiras) –É um vinho intenso com os "tiques" da madeira bem presentes, tanto nas notas amanteigadas como nos tostados fortes. Aliás as notas fumadas e tostadas neste momento têm uma predominância nas notas aromáticas. Mas também se distinguem notas de fruta exótica com interessantes sugestões a manga, maracujá, pêssego, alperce e torrada. A prova de boca revela um vinho gordo, redondo, untuoso, encorpado. A madeira está muito presente, talvez mesmo em demasia e infelizmente falta-lhe acidez para lhe dar maior vivacidade e o tornar menos plano. Nota:16.

Luis Pato Vinha Formal 2008 Br (Beiras) – Apresenta-se com cor amarelo suavel. Aroma complexo e elegante, muito feminino, apresentando bastantes notas florais e limão fresco. Madeira muito bem integrada no conjunto. Na boca o vinho é muito elegante, obtendo um belo equilíbrio entre o corpo e a acidez. Curiosamente sentem-se algumas notas de fruta do tipo pêra misturado com limão verde, um ligeiro mineral. Tem um final médio/longo que nos dá muito prazer. Nota:16,50

Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador 2008 Br (Dão) – Apresenta uma linda cor amarela clara a cair para o esverdeado, muito límpida, brilhante . As notas aromáticas são dominadas pelo toque mineral, muito granito, pedra. Existem também aromas florais e aromas subtis a avelã. As notas citrinas surgem em evidência, bem como sugestões de pêra, ajudando a criar um vinho extraordinariamente complexo, equilibrado, denso, cheio de nuances. A boca é verdadeiramente elegante revelando sucessivas camadas, poderosas e maciças, de mineral, lima, muita pedra, tudo isto formando um conjunto complexo, sensual e mágico. É um vinho concentrado, elegante, harmonioso, misterioso, apresentando um corpo médio/cheio e um fim de boca longo! Nota: 16,50

Soalheiro Primeiras Vinha 2008 Br (Minho) - Cor amarelo citrino, aroma carregado de fruta tropical e sedutor, na boca existe uma explosão de fruta onde realço o Maracujá e Manga sempre com uma acidez assertiva, nunca deixando o vinho enjoativo, final longo. Nota: 16,50 ( sim, eu sei. Dei menos nota desta vez . Tudo tem a ver com o momento)


Turkey Flat cabernet Sauvignon 2005 Tinto (Barossa /Austrália) – Na abertura a rolha estava completamente coberta de vinho, deixando transparecer que talvez tenha entrado ar na garrafa.Cor vermelha, com alguns indícios de evolução cromática, bem visíveis nos bordos acastanhados. Nariz profundo, uma presença alcoólica discreta num conjunto de indiscutível complexidade e originalidade aromáticas, com uma conjugação invulgar de fruta. Brota a compota, notas de café, tudo aromas algo pesados e potencialmente perigosos para o equilíbrio aromático. A boca é poderosa, contundente mas muito doce e licoroso. Parece-me que o vinho sofreu uma evolução precoce devido ao defeito que identificamos no inicio por esse motivo não indico a nota do vinho.

Damana5 2007 Tinto (Ribera del Duero/Espanha) – Nariz original, distinto, misturando amora e mirtilo com um toque balsâmico. Na boca transparece atributos de peso como elegância, finesse e subtileza. Apresenta-se redondo, complexo na longa evolução, fresco. A estrutura não impressiona mas a qualidade dos sabores a fruta, especiarias e vegetal estimulam positivamente o sentido do paladar. Está pronto a saborear. Nota:15


Herdade dos Grous Reserva 2005 Tinto (Alentejo) – A pureza e sensualidade da fruta alentejana estão dentro do copo, vincadas pela personalidade da ameixa. As especiarias surgem por detrás deixando rasto a baunilha e noz moscada, de agradável perfil, tudo avivado por uma frescura notável, equilibrada. Na boca mostra raça, estrutura, equilíbrio respeitável. Termina longo, com persistência de sabores a madeira, fruta e especiarias. Os taninos polidos, domesticados, cooperam com a acidez dando profundidade ao corpo no final de boca. Um conjunto imediato, apetecível, muito alentejano nos sabores. Nota:16,5


Anaperenna 2007 Tinto (Barossa / Austrália) – Este vinho de Ben Glaetzer teve inspiração na deusa Romana Ana Perenna, a deusa do novo ano. Em Março (1º mês do calendário romano) fazem um festival em sua honra, dizem que cada copo de vinho bebido nesse dia, equivale a mais um ano de vida (foi pena só ter comprado 1ª garrafa). O primeiro impacto não engana - estamos perante um grande vinho. Nariz denso, profundo, com fruta madura a lembrar compota de cereja e ginga. A madeira confere estrutura ao carácter da fruta, introduzindo componentes a café, caramelo e chocolate. Mas a virtude reside na vivacidade e frescura deste conjunto de aromas, carinhosamente envolvidos por uma vertente vegetal/balsâmica. Na boca revela força, estrutura, densidade. Os taninos pujantes, plenos de densidade, agarram o palato com garra, aprofundando sabores a fruta e café. São secundados por uma acidez fresca que prolonga a nossa imaginação para além do real. Tem raça e futuro esta deusa romana. Se aprecia a opulência, este é o seu vinho. Nota:18

Terça-feira, Setembro 15, 2009

O jovem “Moutard” “Antonino Izquierdo” visitou o “Château” de “Todão”

Deixo aqui as notas de prova de um jantar familiar:

Moutard Pere et Fils Prestige Rosé (Champagne/França)- Esboçando ligeiros tons acobreados e algum âmbar. Bolha fina e persistente. Aroma expressivo e exuberante, um vivaço. Numa primeira fase revela traços de bagas silvestres, com particular relevo para a groselha e framboesa, a que mais tarde se junta morangos. Numa fase mais avançada, surgem intrigantes sugestões de rebuçado. Mousse abundante, rico na boca, expressivo e falador. Acidez qb, solta sensações contraditórias, por vezes peculiares, sempre originais e pouco comuns. Recorda tomate pela acidez, romã pelo aroma, morango no fim de boca, e sobretudo, muito, muito dióspiro pela prova de boca. Nada de dióspiros madurões, mas sim o dióspiro ainda na fase inicial de maturação, na conversão de fruta verde para madura. Final de boca elegante, sedoso. Fiquei fã deste Champagne. Nota: 17,50 Preço: 31€


Château Haut-Brion 1979 (Bordeus/França) – Apresentou-se com uma cor moderada, com ligeira evolução nos bordos. Neste Bordeaux sobressai superior sensação terrosa. Este vinho não esconde nem renega as suas origens, bem antes pelo contrário, é como que uma fotografia, uma chapa do lugar onde nasceu. O terroir é respeitado e o trabalho na adega respeitou aquilo que a natureza providenciou. Mas a fruta não foi negligenciada, uma fruta discreta, pouco exuberante, quase monástica, com leves sugestões a groselha que se alia aos aromas originais de erva seca. Aromaticamente este Château revela-se um desafio e uma caixinha de surpresas para o nariz mais apurado. A boca é complexa, terrosa, rica, muito limpa e transparente. Não é particularmente longa, mas é de uma extraordinária elegância e harmonia. O vinho é elegante e apresentou-se em excelente forma para os seus 30 anos. Todo ele é evocativo das práticas do chamado velho mundo, da elegância, da finesse, da mestria no tratamento da madeira e na integração alcoólica. Um óptimo vinho .Nota: 17


Antonino Izquierdo Vindimia Seleccionada 2006 (Ribera del Duero/Espanha)- Esta é a segunda colheita deste produtor, conhecido por ser um seguidor da agricultura biodinâmica. No primeiro contacto olfactivo surgem os aromas potentes e complexos, onde se destacam as fortes notas minerais e balsâmicas, as especiarias, baunilha. Depois entra em cena a fruta, ampla e opulenta, muito concentrada, madura, muita cereja, ameixa, ameixa confitada, amora, mirtilos, uma fruta franca, generosa e muito elegante. Mas há mais, as notas de madeira exótica, cedro e acácia, chocolate, notas licorosas, cogumelos, um mundo de cheiros que entusiasma e nos deixa apaixonados pela fragrância aromática que se liberta do copo. Potente, equilibrado, amplo e elegante, concentrado, mostra uma boa combinação entre potência e suavidade. Levemente doce, taninos possantes, encorpado, rico, revela enorme concentração de fruta preta, bem acompanhado pela acidez discreta mas potenciadora da frescura deste Ribera. Final muito longo, carnudo, é um vinho de hipérboles que apesar da dimensão nunca cai no disparate ou no exagero. Um vinho que dá enorme prazer beber e que embora dando enorme prazer agora, deve ser guardado para começar a ser aberto daqui a algum tempo. Nota:18 Preço: 40€


Quinta do Todão Melhores Vinhas Reserva 2006 (Douro)- Cor vermelha retinta, sem exageros de coloração, mas aparentando grande concentração, cor cerrada, compacta, densa, profunda. Digamos que é um bom prenúncio do que vem a seguir. É excelente a concentração de fruta de muito bom recorte. Fruta preta e vermelha, intensa, de extraordinária elegância e graciosidade. Bela integração alcoólica, sem pontas a descoberto. Madeira de boa qualidade, bem integrada na estrutura do vinho. Muito elegante na boca, rendilhado, proporcionado, harmonioso, tem tudo no sitio certo. É um modelo de finura, de bom gosto, de equilíbrio. Confirma a fruta distinta, e mostra que tem taninos possantes, mas muito bem comportados, bem "domesticados" e a obedecer ao dono. Longo fim de boca, ajudado pela acidez fina, mas discreta. Muito agradável o toque mineral que se sente na retaguarda. Demonstrando que um bom vinho é elegante desde o inicio, mas ainda tem potencialidades para evoluir consideravelmente no futuro. Nota: 17 Preço: 25€

Sexta-feira, Setembro 11, 2009

Prova á Quinta Pós-Férias

Vale Pradinhos Branco 2008 (Trás-os-Montes) - Cor amarela palha, muito clara. Uma explosão, de frescura, fruta e aromas vegetais de tal magnitude que as narinas tremeram do impacto! O perfume é inebriante, empolgante, estonteante e as ondas de impacto ressoam pelo copo. O maracujá pulsa, a erva parece acabada de cortar, a lima acabada de espremer, enfim, o panorama é viciante e damos conta que levamos o copo uma vez mais ao nariz, e outra, e outra, e outra, sem conseguir parar. A vastidão da fruta, a imensidão e a intensidade de aromas eventualmente não são deste planeta. Tudo bem, não é subtil, não é discreto, é espampanante e guloso. Média:16,75

Monte Cruz Antão Vaz 2008 Br (Alentejo/Portel)-Embora o nariz não seja muito comunicativo, descobrem-se notas minerais agradáveis, abundante fruta citrina com predominância de limão, um fundo de alfazema, tudo imagens aromáticas que nos transmitem visões de amendoeiras em flor... numa paisagem alpina! Na boca é a maçã Granny Smith que comanda, muita maçã verde num vinho austero e seco no final, com um belo comprimento de boca. Uma junção curiosa entre potência, estrutura, secura e finura no mesmo copo. Média Final: 16

Esporão Reserva 2007 Br (Alentejo) - Cor cristalina. Nariz fresco, vegetal, com apontamentos que sugerem uma salada de fruta. Leve madeira confere-lhe estrutura. Na boca entra amplo e fresco, evoluindo de forma equilibrada e directa para um final moderado, de complexidade média e acidez vincada. Apesar de não existir muita profundidade de sabores, onde predomina o vegetal, o conjunto consegue rasgos de prazer e frescura. Média:15

Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas 2003 Tn (Douro) - Granada baço com média concentração e apontamentos violáceos no bordo. Início pouco expressivo com um aroma difuso a mostrar lenho, notas vegetais pouco pronunciadas, algum rebuçado de morango e uma vaga sensação a madeira húmida. Só com o arejamento as coisas mudam de figura: sobressai a fruta vermelha -morango, framboesa e groselha-, discreta violeta, apontamento terroso, vinco tostado e pontas adoçicadas que lhe dão um toque caramelizado. Macio, embora modesto no corpo, com a acidez a proporcionar um ataque redondo e relativamente fresco. Sem desequilíbrios, mas muito linear no palato, acusando alguma diluição de sabores e com a marca do lenho a envolver o fruto. Despede-se com correcção, deixando a marca de um tanino miúdo a envolver as notas de framboesa. Tudo certinho, arranjadinho e muito compostinho. E, contas feitas, não será completamente descabido falar em delicadeza porque o vinho arrasta consigo uma óbvia "costela" feminina. Pena a vulgaridade da estrutura, não se descortinando forma de lhe prolongar a vida em garrafa. Média:15,75

Quinta das Marias Touriga nacional Reserva Tn (Dão) - Nariz complexo, de qualidade superior, um bocado fechado. Emana cereja e ginga,, no limite da concentração aprazível. A baunilha e as especiarias cobrem aromas a fruta. O conjunto é avivado por uma frescura indispensável, sóbria, que não retira protagonismo ao fruto. Um ramo de violetas surge, por vezes, para desafiar a nossa imaginação, num conjunto que conseguiu um equilíbrio notável da fruta. Na boca, sabores frescos a fruta, de concentração equilibrada, percorrem as paredes do palato de forma gulosa e distinta. Os taninos, envolvidos nesta estrutura, colam-se às paredes do palato, conferindo profundidade e longa persistência de sabores a cereja, ginga e leve madeira. A acidez enaltece o conjunto, acabando por polir um final de boca distinto, equilibrado e sedoso. Tal como no nariz, a prova de boca consegue um equilíbrio notável da fruta. Média:16,87

Monte Cruz Syrah 2006 Tn (Alentejo) - Mostra cor rubi de concentração mediana, aromas a apontar para a fruta madura e doce, um toque de vegetal seco e uma pincelada de pimenta branca. Corpo franzino, confirma a mensagem transmitida pelo nariz, com fruta doce, simples e sincera, mostrando um final de intensidade e comprimento mediano. Taninos ligeiros, temos um tinto muito leve que precisa engordar em futuras edições.Média:16,12

Herdade dos Grous 23 Barricas 2007 (Alentejo) - Tonalidade rubi concentrada a suportar um aroma rico e poderoso onde o álcool aparece bem integrado. Início marcado pelas notas de canela e noz moscada. Sugestões de cedro a conferir algum exotismo a um conjunto onde a fruta macerada -ameixa, cereja e amora- se mistura com as especiarias. Impressivo na entrada, encorpado mas não pesado, e munido de uma acidez suficiente para que a doçura frutada não se torne enjoativa. Muito bem doseado na extracção. Taninos persistentes, mas muito polidos, a ampararem o fruto e as sensações tostadas no final. Eu gostava de ter encontrado maior persistência final.Média:16,5

Falcoaria Reserva 2007 Tn (Ribatejo) - A madeira dá suporte a aromas de frutos vermelhos, florais e vegetais. Na boca o vinho está austero. Os taninos conferem uma secura que encobre os sabores da fruta. O vinho tem corpo médio/cheio. O comprimento no palato é moderado, e o final de boca é médio/longo. A acidez é elevada e promete um bom futuro para o vinho.Média:15,87



Finca Sandoval 2006 (Manchuela/Espanha)-. Este Finca Sandoval apresenta cor grenat muito intensa, do mais opaco e profundo que tive oportunidade de observar. Aspecto denso, compacto, cerrado, maciço, a deixar adivinhar um vinho muito concentrado e potente. Mostra aromas de fruta muito madura, amoras, cassis, cereja, ameixa preta e mesmo uva passa. A boca não esconde a sua origem de terra quente, embora consiga manter todos os componentes em equilíbrio e harmonia. É um vinho que impressiona pela dimensão e pela potência, sendo contundente na estrutura. É amplo, com corpo cheio, com taninos maduros e fortes e com um evidente predomínio da componente frutada sobre as restantes. Com boa acidez que contrabalança a doçura, é sem dúvida um vinho muito guloso e atraente. Final longo e concentrado. Média: 17

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