Puros & Vinhos

terça-feira, dezembro 29, 2009

Jantar dos Deuses 2009 dos Puros



Venho neste espaço mais uma vez fazer uma apreciação dos vinhos provados no jantar de Natal do Grupo Puros & Vinhos. As apreciações são da minha responsabilidade, quanto ás notas dos vinhos elas correspondem á média dos 16 confrades presentes.

Começamos por brindar a todos com um Murganheira Touriga Nacional 2006 - Ataque refrescante, com desprendimento persistente de uma bolha média, mas com alguma agressividade induzida pelo carbónico. A mesma impressão numa evolução que podia ser mais delicada com o carbónico a "camuflar" parcialmente os aromas e sabores frutados. Acidez viva e secura controlada num final com média persistência.

Preço:15€

Nota Final: 13,92

A prova de brancos desta vez não foi ás escuras, e o primeiro branco a surgir na mesa foi o Tuga Beirão Encontro 1 Branco 2008 (Beiras) - Cor cristalina. Nariz fresco, vegetal, com apontamentos que sugerem uma salada de fruta. Leve madeira confere-lhe estrutura. Na boca entra amplo e fresco, evoluindo de forma equilibrada e directa para um final moderado, de complexidade média e acidez vincada. Apesar de não existir muita profundidade de sabores, onde predomina o vegetal, o conjunto consegue rasgos de prazer e frescura.

Preço: 15,60€

Nota Final: 16,65

De seguida apresentou-se o "Franciu" Domaine Leflaive Puligny-Montrachet 2006 (Borgonha) - Este Borgonha indica logo no primeiro contacto que é um vinho encorpado, cheio, carregado de personalidade, um branco que nos aponta um caminho seguro para o lado floral, misturado com muita pimenta branca. Enterradas nas profundezas do copo, despontam leves sugestões citrinas. Possante, glicérico, entroncado, e um pilar de segurança, um vinho robusto sem nunca ser rude. Acidez muito bem integrada, será difícil encontrar um vinho que se adeqúe mais á mesa que este Borgonha.Não o perca, prove-o com muita atenção, e verá que lhe será impossível resistir.

Preço:50€
Nota Final: 17,23

Finalmente chegou o Nuestro Hermano SantBru Blanc 2007 (Priorato) - Apresenta uma cor amarelo suave. Aroma Complexo e elegante, muito feminino, apresentando bastantes notas florais e limão fresco. Madeira muito bem integrada no conjunto. Na boca o vinho é muito elegante, obtendo um belo equilíbrio entre corpo e acidez. Curiosamente sentem-se algumas notas de fruta do tipo pêra misturado com limão verde, um ligeiro mineral. Tem um final/longo que nos dá muito prazer.

Preço: 15€

Nota Final: 15,35

Chegamos então á prova cega de tintos, e não podíamos ter começado melhor com o australiano Amon-Ra 2007 (Barrosa Valley) - A cor deste vinho é simplesmente divinal, apresenta um brilho, o poder de um enorme syrah. O álcool está perfeitamente integrado, o vinho é delicioso, os taninos são suaves e aveludados, terrosos, intensos, abrindo-se num leque perfeito. A acidez é fabulosa, fresca, vibrante. Estruturado, equilibrado, voluptuoso, cheio, é um vinho cheio de intensidade e profundidade. A boca sempre em perfeito crescendo, à medida que o vinho vai arejando, este é um vinho para durar mais de 10 anos.
É um autêntico luxo, é sensual, lascivo, libidinoso, carnal.

Preço: 65€

Nota Final: 18,69

De seguida chega-nos o delicioso e pachorrento alentejano Esporão 1º Prémio colheita de 2007 (Alentejo) – Apresenta cor vermelho vivo, quase violeta, com boa concentração e excelente impacto visual. É muito interessante verificar que a primeira "cheiradela" transmite de imediato uma vigorosa sensação de mineralidade e de expressão de "terroir". Bom sinal e um bom começo! Depois, depois surgem em leves tranches a fruta elegante, discreta, muito bem comportada. Fruta distinta e muito sóbria, sem sinais de sobrematuração ou sobre-extracção. É notória a finura aromática transmitida, a sensação de equilíbrio emanada, a paz Zen, a quase espiritualidade. Finalmente percebe-se que a madeira só o ajudou, sem marcar a prova, antes servindo de suporte, potenciando as suas virtudes aromáticas.

A boca é um modelo de finura e elegância. É distinta, nobre, aristocrática, sóbria. Final longo, muito longo, extremamente longo... temos vinho! Tanino presente, potente mas sensível e muito bem integrado, acidez vincada mas sustentadora, estamos perante um vinho atípico de Portugal e que pouco tem a ver com os seus vizinhos alentejanos.Um belo vinho alentejano.

Preço: 33€

Nota Final:17,62

E por último um poderoso "Duriense" Quinta do Crasto Vinha da Ponte 2007 (Douro) -Se tem medo do escuro evite olhar para ele porque é "de fugir". Se é contra a violência não o leve à boca porque vai ficar "knock-out". É isto que o espera ao aproximar-se deste vinho que, ainda fechado, é já um compêndio de aromas: notas minerais e terrosas dão o mote para um conjunto onde se misturam o fruto preto e as notas silvestres. Cola-se literalmente às paredes do copo e insinua-se com rara frescura, com a madeira e o poder alcoólico perfeitamente integrados. Demolidor na estrutura, imenso no extracto, grosso, com taninos suculentos, a pedir que o mastiguem e, ainda assim, refinado. Evolução em crescendo com um final inesquecível. Arrasador no estilo, excessivo na originalidade, é a expressão perfeita do seu terroir. Não será fácil escolher o casamento gastronómico ideal mas, em boa verdade, ninguém se quer divorciar dum vinho desta envergadura. Estamos perante um vinho de culto.

Preço: 90€

Nota Final:18,35

Para a sobremesa o convidado foi o Olho no Pé colheita tardia 2007 - Apresentou-se na sua linda cor citrina, cristalino de aromas, límpido como um cume alpino. A mineralidade é quase assustadora, um manto pedregoso de calhau rolante e sílex, neste caso escoltado por engraçadas e refrescantes notas de maçã Granny Smith.. Untuoso, gordo, glicerinado, viscoso, tão doce e gorduroso que necessariamente tem de ser pecaminoso. Toda a doçura é temperada e domesticada por uma acidez felina que o refresca e lhe prolonga o final. A boca grita pêssego e alperce a uma só voz, o equilíbrio é notável, e a luxúria instala-se nos nossos neurónios, toldando-nos o juízo por inteiro. Um vinho quase o

bsceno de lascívia e voluptuosidade! Somos transportados ao céu, mas acabamos transformados em pecadores.

Preço:14€

Nota Final: 17,27

Para saborear o Puro seleccionado por cada confrade para o evento, apresentou-se o excelentíssimo Quinta do Vesuvio Vintage 2007 - Descrever a cor deste vinho é uma tarefa perfeitamente inócua: é tudo preto, à excepção dos tons violáceos do bordo. A aproximação ao nariz é pautada por uma enorme doçura de fruto, nada enjoativa, em harmonia perfeita com um cunho vegetal muito vincado donde, esporadicamente, se liberta uma fragrância floral de extrema sensualidade. De tudo isto emerge um conjunto cheio de força e vigor, impressionante na frescura, com o vinho a suplicar que o mastiguem. Uma prova sempre em crescendo que culmina com aquela sensação de «tremor» nas gengivas... Indescritível. Ao concluir esta nota de prova o final de boca ainda lá estava. Que mais se pode exigir a um vintage novo? Só se fôr que envelheça!

Preço:40€

Nota Final:17,69

Desejo a todos umas BOAS FESTAS

12 Comments:

Blogger PAULO SOUSA said...

Muito bem,bom ano para todos e boas provas e jantares em 2010.


Um abraço

Paulo Sousa

2:29 da tarde  
Blogger Mario Joao said...

"Amon, Ámon ou Amun (em grego Ἄμμων Ámmon ou Ἅμμων Hámmon, em egípcio Yamānu) foi um deus da mitologia egípcia, visto como rei dos deuses e como força criadora de vida.Amon era também considerado o rei dos deuses. Muitas vezes era associado ao deus Rá (ou Ré), formando assim o deus Amon-Rá, o deus que traz o sol e a vida ao Egito. Era representado na forma de um homem em túnicas reais com duas plumas no cabelo." in Wikipédia...
Isto dos deuses têm muito que se lhe diga....À nossa mesa tomou a forma de duas garrafas de vinho tinto soberbo...e trouxe a vida e o sol à mesa do nosso almoço de Natal!... talvez o melhor tinto que bebi em 2009 ( não posso precisar pois faltei à minha promessa de final de 2008 de tomar notas acerca dos vinhos provados )... talvez em 2010 ???
;-))
Um grande 2010 para todos os puristas e familiares.

10:26 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Caro Presidente...

Um blog de invejável e marcada qualidade. Aqui aprende-se com cada linha de texto elaborada.

Muitos Parabéns e continuação de Bom Ano.

CMPratas

10:43 da manhã  
Anonymous Eduardo said...

Vocês têm que provar/beber mais vinhos doces. Dar essas pontuações ao "Olho no pé" !!?? Quando beberem dos bons vão dar o quê ? 40 ?

9:40 da manhã  
Blogger PAULO SOUSA said...

Bom dia,eu estou a pensar dar quarenta e um...já agora sr Eduardo,pode me aconselhar,e deitar cá para fora nomes desses mt bons.

Um abraço

Paulo Sousa

11:35 da manhã  
Anonymous Sr. Eduardo said...

Desde os Franceses de Sauternes, Barsac, Monbasilac, Alsacia, passando pelos Grandes TBAs Austriacos, pelos IceWines do Canadá e acabando em GRANDE nos Alemães....basta provar um Auslese alemão para saber do que estou a falar.

E até já se conseguem comprar facilmente !!!
Exemplos...podem começar por este:
http://www.niepoort-projectos.com/prod.php?pid=126

12:18 da tarde  
Blogger PAULO SOUSA said...

Sr Eduardo,dê uma volta com mais atenção ao blog Puros e vinhos,veja no Histórico se encontra alguma coisa,do que está a falar e depois vá provar vinhos e dê a sua opinião sincera.

Um abraço e boas provas

10:00 da tarde  
Anonymous Eduardo said...

Já percebi que não vale a pena. Compreendo que na emoção do momento esse vinho vos tenha sabido muito bem. Realmente tem doçura para enganar qualquer um. São pontos de vista diferentes, gostos diferentes, conhecimentos diferentes....mas tudo evolui.
Abraços.

9:41 da manhã  
Anonymous Eduardo said...

Caros P&V,

Com a consciência pesada, vou escrever mais algumas palavras.
Este mundo (vinico e não só) é demasiado pequeno e aqueles que realmente dão valor ao vinho são poucos portanto não quero de todo entrar em confronto convosco. Não era essa a minha intenção mas infelizmente entrei "a matar". Por isso peço desculpa. Mas, como grande aficionado de vinhos doces e sem querer estar-vos a chatear, acho que não dão a devida importancia a este tipo de vinhos. Isso nota-se nas vossas provas....poucas são as vezes onde eles aparecem.

Como disse, não entrei da melhor forma, portanto só sei de uma maneira de resolver esta questão: convidem-me para o vosso próximo encontro, eu levo o vinho "de sobremesa". :-)

Abraços, continuação de boas provas.

11:34 da manhã  
Blogger PAULO SOUSA said...

Ok tá combinado e convidado.Mas já fez o que lhe sugeri, é existem notas de outros vinhos doces,como um Ice Wine muito bem pontuado.

4:22 da tarde  
Anonymous Eduardo said...

Já vi tudo até 2007. De vez em quando lá aparece um (tipo o Moscatel de 71 - tenho duas, é o meu ano de nascimento). Já deu para perceber que vocês gostam (pelas pontuações) mas não percebo o porquê de não beberem sempre...depois de beberem os excelentes vinhos que têm bebido, nada como acabar em beleza e beber um vinho doce...sei que o fazem algumas vezes...deviam faze-lo TODAS as vezes :-).

Ab.

6:42 da tarde  
Blogger Presidente said...

Eduardo como reparou as notas dos jantares são o resultado da média de 14 ou 17 provadores.
Geralmente em todos os jantares temos no final um vinho doce para acompanhar a sobremesa.
No caso do Olho no pé o vinho acasalou bem com a sobremesa e os provadores gostaram, agora se a nota é exagerada !! talvez.
Mas como pode reparar o melhor vinho doce provado pela generalidade dos Puros 6 Vinhos de 2009 foi o Jorge Ordoñes & Co Nº2 Victória 2005 Blanco naturalmente Dulce Maio 2009).
L'Auntentica 2005 Basilicata/Itália)(Novembro 2008).
Tokaji Aszú Oremus 6 Puttonyos 2001 (Hungria)(Março 2008)
Moscatel Roxo 1971 JMF (Abril 2007) (Tb é o meu ano)
Entre outros, mas estes foram aqueles que mais gostei, mas também lhe digo não sou grande apreciador de vinhos doces.

Um abraço

6:04 da tarde  

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